Não recebia cartões de Natal há algum tempo. Este ano recebemos um do entregador de jornal. Agradecemos pessoalmente.
A assinatura do cartão, com letras garranchudas e gordas, dizia: “São os sinceros votos do seu entregador de jornal”.
Foi o único cartão em papel assinado pessoalmente.
Mas recebi outros quantos, de outros jeitos, e resolvi responder a todos hoje.
As pessoas falam mal dos presentes de Natal, da correria, dos implusos de comprar e outras coisas mais, mas não deixam de prestar atenção à data e mandar suas felicitações. É um tipo de presente e recebi de braços abertos este ano (com algum atraso).
Embora seja uma festa cristã, e muitos prestem tributo a ela, é um momento de passagem que vem acoplado ao Ano Novo.
Não sou praticante de nenhuma religião, mas, pela tradição familiar, monto o pinheirinho e o presépio (um tanto blasfemado, mas ele está lá). Este ano dois reis magos faziam um conchavo qualquer.
Me surpreendo com o significado que têm, para alguns, essas passagens de datas.
O Natal tem um apelo familiar e religioso, um apelo, primordialmente, de valores, afinal, é uma tradição cristã.
O Ano Novo, me parece, de festa pagã, de prazeres, de desejos e de expiação, o que não condiz.
Ou expiamos o que passou, seguindo a tradição da semana anterior, ou corremos pro abraço. Mas não, em uma semana passamos com as famílias, abraçamos os parentes, trocamos votos e, na outra, usurpamos, de nós mesmos, todo o ano que fizemos, todos os anos anteriores, como se não houvesse amanhã nem ontem.
Não acho nem um pouco estranho que a polícia fique em alerta nesta época, afinal, o que mesmo é proibido? Parece que, quando chega 31 de dezembro, vamos nos tornar outras pessoas, vamos mudar a história dos nosso 15, 30, 50 anos.
Nada muda, apenas nos lembramos, no Natal, de quem somos e, no Ano Novo, de quem queremos ser. Mas é tudo muito rápido. E imaturo, infelizmente.