Conversa de viagem

3 11 2009

Nas viagens que faço todos os dias para ir trabalhar, apesar de ter decidido aprender a dormir no ônibus, não deixam de acontecer coisas estranhas.

Já faz quatro meses que vou e volto todos os dias, sempre o mesmo trajeto, e não decorei a paisagem. Às vezes acordo com dúvidas sobre onde estou, se já passou do meu destino.

Não foi o caso de hoje.

O pessoal que pega a linha é quase sempre o mesmo, gente que vai trabalhar no interior e mora na capital. Sei do bancário, do médico e de um que trabalha em um laboratório. Tem muita gente que mora lá e volta pela manhã de Porto Alegre porque passou a noite acompanhando algum familiar no hospital.

Hoje o médico me cumprimentou, um senhor estrangeiro que fala num sotaque espanhol ininteligível. Não puxou conversa, mas me mostrou a foto de sua poodle no celular. Achei estranhíssmo. Comentei qualquer coisa, ele respondeu outra que não entendi e falou sobre a filha e sua “senhora”. Sorriu. Nos despedimos.

Caminhei reto e ele dobrou. Duas quadras depois lá vinha ele de novo.

Eu estava acostumada com os assuntos de ônibus sobre o tempo, sobre os feriados, mas não com fotos de poodle de um senhor estrangeiro.

Tentei conversar, mas talvez fosse melhor se eu tivesse a foto de um gato pra mostrar.





Baile

2 11 2009

Por falar em tradições, a dança tem algumas que não são desfeitas com facilidade.

Me surpreendi que, na dança de salão, a mulher, guiada pelo parceiro, dança quase o tempo todo de costas, vendo os casais que chegam a eles e não vendo para aonde vai com o homem que a leva.

Na dança, os trajes são o que os revestem de sentido.

O olhar o que torna cúmplice os dois parceiros.

E, apesar da fanfarra em volta e, por causa dela, a dança é do casal que faz elipses no salão, ininterruptas, girando em torno de si mesmos.

E foi lindo quando os homens fizeram a música com suas botas, para suas prendas dançarem com eles.

E assim eles foram, rodando vestidos que não se usam mais nas ruas e dando gritos de celebração.

 

baile2

Mãos dadas sobre o tablado.

baile3

Casal em solo.

 

baile4

Solos dos casais.

 

 

 

 





A minha sacada

30 10 2009

As cidades são o que elas trabalham.

Sou muito do que trabalho.

Às vezes fico impressionada comigo mesma quando reclamo de trabalhar. Eu gosto de trabalhar.  Reclamo do tempo, de talvez poder fazer outras coisas.

O lugar social do trabalho e o lugar do trabalho para o sujeito são o lugar dele. Nunca ouvi falar de ninguém que tenha o trabalho como se fosse a roupa de um morador que despenca na sacada do vizinho. Pelo menos, ela despenca do varal do vizinho na nossa sacada.  Me diz respeito em alguma coisa, ainda que seja eu detestar e trabalhar por dinheiro, por responder a um mandato ou seja lá o que for. Talvez por isso o trabalho (nos) incomode tanto.  Porque SEMPRE é a NOSSA sacada.

 

Já trabalhei em uma cidade louca, muito rápida, de instantes fugazes, que não é redundante dizer. Uma cidade de histórias, sem tradição. As pessoas rememoram, mas tudo é novo, se reinventa e se perde.

Hoje trabalho em uma cidade que carece de memórias, porque a tradição não permite contar certas coisas. Falar e lembrar pode ser perigoso.

Duas cidades onde meninas têm filhos aos 14 anos e bebês buscam o olhar de uma mãe vorazmente e não o encontram.

Em uma cidade, algo pode ser transmitido pelo que se conta; na outra, pelo que se deve fazer. E, assim, os bebês crescem, com meninas-mães.

Esse é um jeito de se fazer uma cidade.





Álbum de fotos

25 10 2009

Ontem reencontrei amigas que não via há mais de 20 anos e isso me soa muito estranho de dizer.

Na verdade, não posso dizer que foi um reencontro, porque não nos conhecemos. Abrimos um álbum de memórias em comum, de quando tínhamos 5 anos. Lembramos de fitas de papel crepom amarelo nos cabelos, de brincadeiras na casinha de pano do Sítio do Pica Pau Amarelo, do cachorro dálmata pintado na parede do pátio da escolinha. Lembramos do choro e da risada de uma despedida, do quarto da bagunça, do balanço no pátio, da brincadeira de frio no ar condicionado. E lembramos do que os nossos pais nos contam daquele tempo.

E, ironicamente, não tenho nenhuma foto dessas lembranças comigo, embora elas existam.





Cotidianices

24 10 2009

Tenho me surpreendido o quanto motoristas profissionais são irritados no trânsito. Talvez porque eu tenha prestado mais atenção. Talvez porque a intolerância é a regra do momento e o tempo que eu tenho que esperar entre a partida e a chegada me presta esse favor, de prestar atenção.

Não gosto das apologias ao “mundo moderno”, à “sociedade atual”, que dizem que exige muito do sujeito etc. Me parece um discurso fácil.

Mas as épocas nos apresentam determinadas formas de ser.

Outro dia, peguei um táxi e o motorista reclamava, SOZINHO, do trânsito, xingava os outros, esbravejava, reclamou do sol das sete da manhã batendo nos olhos.

Hoje o motorista da lotação (e de outras que tenho pegado) esbravejava, SOZINHO, contra os pedestres, os outros ônibus, reclamava do troco, do passageiro que fica em pé na porta.

Também hoje, passavam, nessas TVs de ônibus, orientações sobre boas maneiras nos coletivos. Uma delas era cumprimentar o motorista. Ora, antes tinha um aviso de não falar com ele!

Bem, que estamos sozinhos no mundo, me parece claro. Tudo o que diz respeito a nossa vida, diz respeito somente a nós, e a morte é o testemunho mais evidente disso.

Os outros são afetados, mas quem morre somos nós. E são aqui permitidos todos os outros substitutos.

Mas e quando estamos sozinhos e somos invisíveis? Ou porque não nos vêem simplesmente, ou porque, mesmo vendo, nos ignoram?

Porque raios alguém acha que deve poder me ensinar a me portar em um coletivo?

Porque alguém se acha no direito de dizer, como se fosse um especialista, como cuidar de minhas contas, como criar os filhos, como se alimentar, como levar um casamento, como se comportar no trabalho, como cuidar da saúde?

Quem perguntou tudo isso?

Não é pra menos que me irrite com a presença das pessoas.

Não deixa de ter sentido o motorista se irritar com o brilho do sol.





Dos lugares da simplicidade

4 07 2009

Não me proponho a uma regularidade aqui, me desculpa, mas o meu tempo e o meu intervalo não é este. É justamente de quando ele é impelido a acontecer, não quando o crio, porque não teria como fazer isso. O meu tempo é de quando sou sugada de um a outro, e volto aqui porque isso tem acontecido.

Efetivamente meus caminhos mudaram, porque mudou o meu lugar, em uma ligação às seis da tarde de uma segunda-feira. Fui chamada a assumir um cargo público em Campo Bom, e lá estou eu agora, ainda experimentando tudo.

Pedindo informações pra mesma pessoa três dias seguidos, lendo fachadas de lojas, propagandas nos muros, descobrindo nomes de ruas, apredendo o que fazer no trajeto (se durmo, se leio, se como, se cuido da vida alheia, se olho a paisagem). Esses dias voltei com um velho palhaço no ônibus, olhos tristes, de homem vestido de palhaço, com balões infláveis de animais. Vinha de Sapiranga e foi pra Canoas.

Ainda me sinto estranha na cidade, estampado em todo o meu corpo que não sou de lá. E sinto algo de infantil, olhando pra tudo, querendo descobrir como andam, como se cumprimentam, como atravessar a rua. Lá é diferente, muitos motoristas param para que a gente atravesse.

A cidade é produtora calçadista, com fachadas de antigas fábricas no centro, monumentos aos trabalhadores, mas ouvi dizer que é uma cidade-fábrica, que tudo (ou quase, imagino) funciona como uma fábrica. Horários rígidos, cobrança por produção, salários apertados.

O dia começa muito cedo, normalmente às sete estão todos a postos e tudo para ao meio dia. Como uma cidade com muitas fábricas, tem gente de toda a redondeza, que vai e volta, deixando seus bilhetes de passagem nos bancos dos ônibus. Sempre olho de onde vieram e para aonde foram. Sapiranga, Novo Hamburgo, Taquara, Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Canela…

A cidade é simpática, com prédios antigos, quase toda horizontal, mas com uma meia dúzia de prédios residenciais enormes e bonitos. Construíram um shopping que não funciona, não há lojas, porque não tem público para isso. As pessoas ou ganham muito (os donos das fábricas) e não vão comprar na cidade, ou são operárias, e também não poderiam manter um shopping. A prefeitura é estilosa, estilo Brasília, com rampas para subir ao poder e gramados em volta.

Há ciclovias na cidade, não por diversão, mas porque as pessoas realmente se deslocam assim, e imagino que às seis, cinco da manhã, num frio de geada, ainda noite. No centro tem uma estação ferroviária desativada, assim como um cinema.

Os moradores são descendentes de alemães e italianos e os mais antigos ainda falam sua língua. O sotaque me faz sentir uma estranha, assim como meus olhos curiosos.

Além de outros lugares que passo a ocupar com esta mudança, como um novo lugar na profissão, no trabalho ( saio do terceiro setor e vou para o serviço público, do trabalho essencialmente social para a clínica), este descobrimento me toma e me fascina.

Olhar o detalhe de lá, revelar e me apropriar e, na volta, examinar a minha cidade. Olho todo o dia pro rio, como que querendo apreendê-lo em mim, no pôr do sol, e para nossos prédios no centro e nossa gente apressada.

E agora me despeço, porque o meu amor chegou e estou com saudades.





Impotência

4 04 2009

Aprendi muita coisa na rua, embora nunca tenha jogado futebol no meio da rua, dormido na sarjeta ou qualquer coisa parecida.

O poder autoriário é algo a ser respeitado. Mais, obedecido. Calado. O que o juiz determinar deve ser cumprido. Não há mais nada a se dizer a respeito. CUMPRA-SE.

Também a lei que vigora na comunidade é a que vale. Quem desrespeitar morre. Se cuspir no chão que o chefe manda, recebe 40 tiros. Isso aconteceu ano passado. Porque é um despeito e tem que pagar de alguma forma, e é com a vida. Isso acontece o tempo todo.

Quando se fala, nos jornais, de disputas por espaço entre gangues rivais, é disso que estão falando, embora não saibam. Não é só disputa de ponto. É de um território que não dominamos, de uma lei que desconhecemos, onde também há um “cumpra-se”, concreto, real, onde nehuma palavra precisa nem pode ser dita. Não há o que fazer.

Fala-se muito dos foragidos da justiça. Mas e os foragidos dessa lei? São garotos de 14 anos. Morrem não porque deviam dinheiro, mas porque, por tentarem honrar alguma coisa em si, peitaram o chefe. Tentaram dizer que são homens, engravidaram a irmã dele ou fizeram um assalto com arma de brinquedo para mostrarem que têm coragem.

Quando vamos nos impressionar com isso e nos perguntar porque esse código existe?

Quando vamos parar de condenar, com o nosso código, e tentar olhar para esse garotos de 12, 14 anos que procuram um lugar e para os outros, que conquistaram, naquele código, um lugar de poder?

Até quando vamos dizer que não temos nada com isso, resumindo tudo com a palavra CRIME?

Até quando vamos ler: “Menor é morto no Sarandi, suspeito de envolvimento com o tráfico”, sem entender que o guri só conseguiu estudar até a 1ª série, porque teve que colocar comida na mesa e cuidar dos irmãos, enquanto a mãe trabalhava porque o pai foi morto, e sempre cresceu na rua. Mora num barraco à beira de um valão. Para um consulta no posto de saúde, a mãe, que trabalha, tem que ir pra fila às 5 da manhã. Deram (ninguém vende no começo) crack pra ele; o Conselho Tutelar o levou para um abrigo lotado, com mais 60. Claro que ele fugiu. Quem ficaria? Achou um outro jeito de ganhar dinheiro.

É uma simplificação, nada distante da realidade. Não justifico a conduta de ninguém no sentido de minimizá-la. Mas alguém minimiza isso para nós quando nos fala de um menor criminoso.

O que vamos encontrar quando olharemos nos olhos deles, perguntarmos o seu nome, sentarmos para conversar e dizer: “eu estou aqui, posso fazer alguma coisa”?

Primeiro encontrei a minha impotência, enorme.

Depois encontrei uma pequena saída, que é sair do meu lugar de quem sabe alguma coisa. Por que não sabemos absolutamente nada.

O analista nasce aí, do saber sobre nada, só dando espaço para que o outro fale. Dando poder a ele.





Categorias diárias

3 04 2009

Hoje um cara veio tentar me vender o Greenpeace. Respondi que já trabalho numa ONG. Fim do assunto.

Outro dia a LBV ligou para a ONG onde eu trabalho pedindo dinheiro. Quando a mulher que ligou entendeu que falava com uma ONG, quase chorou.

Fazer relatórios e tabelas quando a ONG não tem dinheiro para irmos à Restinga.

Fazer agendas, muitas agendas e tabelas, e ver o terror que me espera quando o dinheiro chegar.

Almoçar com os pais no horário de trabalho e eles pedirem um neto. Tem alguma coisa errada nisso.

Depois de muito atraso no salário, realmente acreditar que a chefe me roubou. Quase briguei por isso.  Paranóia  se instalando.

Tentar entrar em um banco e o segurança dizer que eu NUNCA conseguiria entrar por causa dos SALGADINHOS. Isso quase foi o fim.

Ficar meia hora na fila do banco e me dizerem que tenho que ir em outra agência.

Declaração do IR. Vou ter que pagar uma fortuna. Nos meus trabalhos, ONGs, obviamente não me avisaram que eu tinha que estar pagando algum imposto. Vai dar TUDO errado.

Monogafia apresentada. Uma semana de doenças subsequentes.

CEVA.

2Pac.

A porteira do prédio não conseguia liberar a porta e me perguntou, pelo interfone, qual botão ela tinha que apertar. COMO ASSIM QUAL BOTÃO?





Relato de viagem

27 03 2009

Tenho ido lá toda a semana, não nutro nenhuma paixão, mas acho que vale a pena.

A Restinga é um bairro de Porto Alegre conhecido pela violência, por se um pólo de resistência popular e por ser muito, mas muito longe. Para o tamanho da nossa cidade, viajar uma hora em uma linha de ônibus expresso ou levar 45 minutos de carro, sem NENHUMA tranqueira, é longe. Pra se ter uma idéia, as praias mais próximas ficam à uma hora, e a gente já acha que, às vezes, não vale a pena a viagem.

Mas o trajeto e a breve estada na Restinga têm outros valores. Seja qual for o caminho (conheço pelo menos três), todos têm uma parte rural. Há sítios, gado, patos e marrecos, porcos, cabritos, plantação de uva e muito verde. A vista é realmente bonita, quando olhada ao longe, porque ainda é cidade. O clima lá é outro, muito quente, de um calor que vem do chão de barro, um barro seco, cor de farelo de tijolo misturado com areia. Lembra um pouco a praia. Há uma avenida central, que divide o bairro entre Restinga Velha e Restinga Nova, dizem que hoje são rivais no tráfico. Essa avenida é o centro, como o de uma pequena cidade.

Não há quase prédios nem árvores, o que torna o calor maior, porque não tem sombra. As ruas principais são quase todas de paralelepípedos e as outras são de chão, daquele areião avermelhado. Em algumas partes existem casas boas, em outras, são barracos. As ruas são muito calmas, com as pessoas andando onde os carros deveriam passar. Ainda que seja um bairro grande, enorme no mapa, se pode atravessar quase todo ele a pé. E assim o pessoal da Restinga faz.

O ritmo da vida perece ser outro lá. Tudo anda mais lento, uma parte do comércio fecha ao meio dia e só abre lá pelas duas da tarde. As pessoas almoçam em casa ou no trabalho, na verdade, nunca vi um restaurante. Não que não tenha, mas não vi, só lancherias.

A Restinga nasceu, como quase tudo o que está longe do Centro, para apartar a população indesejável, ou pobre, ou supostamente improdutiva, das áreas centrais da cidade.

Gosto muito de mapas antigos e da história da urbanização, e, se virmos os prédios antigos de encarceramento e hospitalização da cidade, bem como os bairros pobres, estão, TODOS, onde um dia foram ou são periferias.

A Santa Casa de Misericórdia estava nos limites da cidade; o presídio Central, o Presídio Feminino Madre Pelletier, o Sanatório Partenon, o Hospital Psiquiátrico São Pedro e o Hospital Parque Belém estão em áreas isoladas, na sua época de construção, dos bairros nobres . Entre os bairros, além da Restinga, estão o Parque dos Mais, o Rubem Berta, o Humaitá. Todos deslocamentos populacionais promovidos pelo governo para as periferias.

Bem, não vamos discutir isso aqui, era só pra constar.

Há bons relatos da história do bairro nestes lugares:

Wikipédia (claro), Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Práticas e Saberes Populares da Restinga.

Mas conhecer a Restinga é como viajar para qualquer outro lugar.

É ir para outro tempo, pra outra história, pegando uma estrada dentro da cidade, ouvindo gente que resistiu ao ser ignorada e resiste, e muito, ainda hoje, contra uma história dura e difícil.

Nem todos moram na beira de um valão, em um casebre de chão batido, onde o pátio cheira a areia molhada pelo esgoto. Nem todos estão envolvidos como tráfico e com a violência.

E, principalmente, não estão de um lado ou de outro. Lá existe um povo que briga pelo seu lugar, que briga por si mesmo, que resiste.

Por isso, viajar pelos lugares, é conhecer os povos, é escuta-los e reconhecê-los.

A diferença está no arroubo da arquitetura, na quantidade de anos e nas obras estéticas. Mas acho que nada disso faz de um lugar melhor do que o outro.

Mapa de Porto Alegre, com a Restinga sinalizada em vermelho.

Mapa de Porto Alegre, com a Restinga sinalizada em vermelho.

Vista aérea da Restinga.

Vista aérea da Restinga.





Papo alheio

28 02 2009

Estou tentando terminar a minha monografia. Enquanto isso, tenho uma diversão sem limites no Conversas Furtadas.

Tinha uma época em que andava de ônibus ouvindo o papo alheio. Uma vez, uma mulher que trabalhava no presídio de Charqueadas desfiou toda a vida erótica no telefone. Ela costumava sair mais cedo do trabalho ou chegar mais tarde, com alguma desculpa de doença. Tudo pelo amor.

Isso era no tempo entre o saudoso walkman e o mp3.  Hoje parece que a gente cansou de ouvir o que falam por aí. Então viajamos e zanzamos por uma centena de blogs, pelo twitter e pelo orkut. Ainda não entendi direito pra que me serve o orkut, mas tá lá.

Descobri, esses dias, porque gosto tanto de nadar de ônibus. Acho estranho isso. Quando tinha uns cinco ou seis anos e passava as férias com a minha avó em Alvorada, vínhamos toda semana ao Mercado para comprar osso pros cachorros, comer sorvete e cachorro quente e olhar vitrines. Era um passeio que eu fazia só com ela, no que chamávamos de “carochinhas”.

Nessa época eu não ligava pro que os outros diziam, mas lembro bem que minha avó se preocupava muito com isso. E falava pouco com as pessoas, só o necessário.

É, as vezes nos reconhecemos andando de ônibus.

O assunto do papo do outro somos nós?