Visitei Buenos Aires recentemente e estou totalmente enamorada. Enquanto estava lá, só queria duas coisas. Conhecer mais e mais e poder compartilhar. Não sentia fome, não sentia sede, a não ser de cerveja, claro. Só sentia vontade de andar e andar e muita dor, muita dor nas pernas e nos pés. Porque uma viagem que se preze, no meu entender, é de muita caminhação.
Caminhamos muito por todo lugar e ruazinha que nos chamava atenção, ou que os portenhos nos indicavam, que tínhamos visto no guia, que o taxista mencionou ou que a vendedora de ternos apontou. Conhecemos uma parte do mapa da cidade de modo que os argentinos se surpreendiam e que os turistas nos pediam informações.
Passamos dez dias lá. Estudei um pouco antes pelo Guia Visual da Folha de São Paulo. É ótimo para se ter uma idéia de quais pontos turísticos visitar, sua localização, como chegar, uma parte da história do lugar. É maravilhoso para despertar a curiosidade e lamento profundamente que eu tenha sido ensinada, na escola, com livros didáticos de história e geografia. O Guia andou conosco em tempo integral, mas não nos resignamos a ele.
Buenos Aires é uma cidade imensa em todos os quesitos que consigo pensar. Pode-se fazer roteiros de museus, de cinemas, de teatros, de cafés e confiterías, de prédios históricos, de praças, de igrejas, de tangos (que são plurais), de feiras e artesanatos, de história, de trens e subtes, de casas noturnas, de bares noturnos, de restaurantes, de clubes de futebol, de cemitérios, de compras, de música, de esportes equestres … Não privilegiamos nenhum deles, pois era nossa primeira visita. Fizemos um roteiro aproximado do guia, percorrendo os principais bairros, que são próximos ao centro e aos quais se pode ir a pé a todos, embora seja uma caminhada puxada. Mas vale a pena, porque se pode sentir a cidade. Só fomos pegar o primeiro taxi no sexto dia.
Nosso percorrido foi mais ou menos a seguinte área:
Esse trajeto compõe os seguintes bairros :
Microcentro/La City, Montserrat, San Nicolás, Puerto Madero, Retiro, Recoleta, Palermo, Belgrano, San Telmo, La Boca.
Obviamente não conseguimos passar por tudo o que queríamos em cada lugar, mas não nos angustiamos, porque, já no primeiro dia, entendemos que fracassaríamos totalmente no nosso desejo de conhecer a cidade. Muito menos a região, que também é muito digna de ser visitada. Preferimos passear pelas ruas, conversar com as pessoas e ver tudo o que podíamos.
Não sei bem por onde começar, mas creio que vou refazer o percorrido. E tentarei passar um pouco do meu apaixonamento, que apesar de ser vistosa aos olhos e aos sabores, a capital me conquistou pela vivacidade de sua gente. Foram os argentinos, seus dizeres e seus gostos que me conquistaram. E sei que não posso generalizar, pois andei pela área central da cidade, não passei pela periferia, pelo interior, pelos povos andinos ou patagônicos, mas, ainda assim, os poucos a quem pude ouvir, me deixaram a marca de uma gente ardente. E lamento profundamente ter presenciado inúmeros compatriotas desprezando as pessoas de lá, de todos os jeitos que conseguiam.
